WhatsApp 48 4009 3915
Telefone 48 999 77 2827
Encontre aqui Cursos de Metrologia, cursos de calibração de Equipamentos de Medição, cursos de incerteza de medição, curso de Interpretação da norma ISO 17025, entre outros.
Centro de Educação, Consultoria e Treinamento em Metrologia e Sistema de Gestão da Qualidade ISO 17025.
Soluções em Metrologia e em Sistema da Qualidade Segundo a ABNT NBR ISO/IEC 17025 e Desenvolvimento de Pessoal.
Ajudando no Crescimento da Metrologia no Brasil. Educação, Informação e Conhecimento em Metrologia e Sistema de Gestão da Qualidade ISO 17025.
Sobre o CECT | Auditorias ISO 17025 | Consultorias | Artigos de Metrologia e ISO 17025 | Dicas de Metrologia e ISO 17025| Fale Conosco |
O CECT é o maior provedor de conteúdo do Brasil sobre Metrologia e a norma ISO 17025.
Leitura Recomendada:
O verdadeiro significado da competência segundo a NBR ISO/IEC 17025
Por que a competência é o requisito que sustenta a confiabilidade dos resultados de um laboratório.
Por Gilberto Carlos Fidélis, Diretor Executivo do CECT
🕒 Tempo estimado de leitura: 8 minutos
Uma abordagem prática e objetiva sobre o conceito de competência segundo a NBR ISO/IEC 17025 e sua importância para garantir resultados tecnicamente confiáveis.
📌 Neste artigo você aprenderá
✔ O verdadeiro conceito de competência.
✔ Como desenvolver a competência.
✔ Como avaliar a competência.
✔ Como documentar a competência.
Não é difícil admitir que somos competentes para executar determinadas atividades e menos competentes para outras. Mas, afinal, o que significa ser competente?
Ao longo da vida profissional, é natural que cada pessoa se especialize em determinadas áreas. Na Engenharia Mecânica, por exemplo, existem profissionais que atuam principalmente com soldagem, projetos, metrologia, manutenção, entre outras especialidades.
Não seria razoável exigir que um engenheiro especialista em Metrologia tivesse o mesmo nível de competência para desenvolver projetos mecânicos complexos. Da mesma forma, um excelente projetista pode não possuir a mesma competência para realizar calibrações ou estimar a incerteza de medição.
Isso acontece porque competência não significa dominar todos os assuntos, mas ser capaz de executar, com qualidade e confiabilidade, as atividades relacionadas à sua área de atuação.
Em poucas palavras, competência é saber fazer.
Um profissional pode ser considerado competente quando consegue aplicar seus conhecimentos, habilidades e experiência para executar uma atividade de forma eficaz e alcançar os resultados esperados.
Esse conceito é apresentado de forma bastante clara na NBR ISO 19011, que define competência como:
Competência:
Atributos pessoais demonstrados e capacidade demonstrada para aplicar conhecimentos e habilidades.
Essa definição merece uma atenção especial.
Observe que a norma não afirma que uma pessoa competente é aquela que apenas possui conhecimentos. Ela destaca que a competência está na capacidade de aplicar esses conhecimentos e habilidades na execução das atividades.
Esse detalhe faz toda a diferença.
Todos nós conhecemos professores que dominam profundamente os assuntos que ministram, mas que encontram dificuldades para transmitir esse conhecimento de forma clara e motivadora. Como consequência, os alunos não se envolvem e o processo de ensino-aprendizagem não evolui de maneira satisfatória.
Nesse caso, podemos dizer que o professor possui grande conhecimento sobre o tema, mas não demonstra a competência necessária para exercer a atividade de ensinar.
Ao analisarmos o próprio título da NBR ISO/IEC 17025 – Requisitos Gerais para a Competência de Laboratórios de Ensaio e Calibração, percebemos que o foco da norma é justamente a demonstração da competência.
Isso significa que o laboratório não deve apenas possuir equipamentos adequados ou profissionais qualificados. Ele precisa demonstrar que é competente para executar atividades de calibração, ensaio, medição e, quando aplicável, amostragem, produzindo resultados tecnicamente válidos e confiáveis.
Esse princípio também se aplica a todas as pessoas que atuam no laboratório.
Profissionais responsáveis por atividades de gestão, recepção de equipamentos ou amostras, auditorias internas, análise crítica ou quaisquer outras atividades que possam influenciar a qualidade dos serviços prestados também devem demonstrar que são competentes para desempenhar suas funções.
A demonstração da competência deve estar diretamente associada ao gerenciamento eficaz do sistema de gestão implementado e à qualidade técnica dos serviços prestados pelo laboratório, conforme ilustrado na Figura 1.
Figura 1. Estrutura da competência segundo a NBR ISO 19011.
Um dos equívocos mais comuns é acreditar que competência significa apenas possuir formação acadêmica, diplomas ou títulos.
Essas qualificações são importantes e, em muitos casos, indispensáveis. Entretanto, não são suficientes para demonstrar competência.
Ser competente é tomar decisões adequadas durante a execução de um trabalho. É saber aplicar conhecimentos, habilidades e experiência para alcançar os resultados esperados. É manter-se constantemente atualizado, desenvolver senso crítico, identificar oportunidades de melhoria e compreender profundamente os processos e as tecnologias utilizadas.
Além disso, o profissional competente observa os detalhes, analisa os resultados, reconhece quando algo não está correto e busca soluções que contribuam para o aperfeiçoamento contínuo das atividades sob sua responsabilidade.
Em outras palavras, competência não é apenas saber. É saber fazer, saber decidir e saber melhorar.
Entre todos os requisitos da NBR ISO/IEC 17025, poucos são tão importantes quanto a competência das pessoas.
Procedimentos podem ser revisados. Equipamentos podem ser substituídos. Instalações podem ser modernizadas.
Mas nenhuma dessas ações substitui uma equipe verdadeiramente competente.
Por esse motivo, a competência é um requisito insubstituível e um dos principais pilares para que um laboratório produza resultados tecnicamente válidos e confiáveis.
O sucesso da implantação da NBR ISO/IEC 17025 depende, antes de tudo, da competência das pessoas que atuam no laboratório.
É fundamental que a equipe possua sólidos conhecimentos em Metrologia e seja capaz de aplicá-los corretamente na execução dos serviços de calibração, ensaio, medição e demais atividades desenvolvidas pelo laboratório.
Quando o conhecimento metrológico da equipe é insuficiente, a competência técnica fica comprometida e, consequentemente, aumenta o risco de produzir resultados que não representem, com a confiabilidade necessária, a realidade das medições realizadas.
Conhecimento técnico e formação acadêmica são indispensáveis. Eles representam o primeiro passo para o desenvolvimento da competência.
Mas como manter esse conhecimento atualizado diante das constantes mudanças nas normas, nos métodos e nas tecnologias?
A resposta está na busca contínua pelo aprendizado.
A leitura de livros e artigos técnicos, a participação em cursos de especialização e atualização, os treinamentos práticos nos procedimentos do laboratório e a troca de experiências com outros profissionais são algumas das principais formas de desenvolver e aperfeiçoar a competência.
O profissional competente nunca considera que já sabe tudo. Ele entende que aprender faz parte da própria profissão.
Conhecimento é fundamental, mas, sozinho, não torna ninguém competente.
O segundo fator indispensável é desenvolver habilidades por meio da prática.
O conhecido ensinamento atribuído a Confúcio resume muito bem essa ideia:
"Fale e eu escuto. Mostre-me e eu vejo. Deixe-me fazer e eu aprendo."
É durante a execução das atividades que transformamos conhecimento em competência.
Cada procedimento realizado, cada problema resolvido e cada desafio superado contribui para o desenvolvimento das habilidades e para o aumento da experiência profissional.
Gosto de comparar esse processo à construção de uma parede. Cada novo conhecimento adquirido representa um tijolo. Cada experiência vivida acrescenta outro. Com o tempo, esses pequenos avanços formam uma base sólida de competência.
Por isso, o exercício contínuo das atividades é fundamental para desenvolver habilidades, adquirir experiência e aperfeiçoar continuamente o desempenho profissional.
Figura 2 – A competência é construída ao longo do tempo.
Até este ponto vimos que competência não é apenas possuir conhecimento ou experiência.
Ela precisa ser demonstrada.
Por esse motivo, um aspecto fundamental é que a competência seja avaliada por terceiros.
Afirmar que somos competentes equivale, de certa forma, a uma auditoria de primeira parte, ou seja, uma avaliação realizada por nós mesmos. Embora importante para a autocrítica e o aperfeiçoamento profissional, ela não possui o mesmo valor de uma avaliação realizada por outra pessoa ou instituição.
Existem diversas formas de realizar essa avaliação.
Uma das mais tradicionais consiste no acompanhamento das atividades por um supervisor experiente, que observa a execução do trabalho e, ao final, registra sua avaliação.
Outra situação bastante comum ocorre durante auditorias internas ou externas. Ao observar a execução das atividades e analisar as evidências disponíveis, o auditor emite seu parecer sobre a competência demonstrada pelo profissional.
Uma alternativa ainda mais robusta, especialmente para laboratórios, é a realização de comparações intralaboratoriais.
Nesse processo, a mesma atividade é executada pelo profissional em avaliação e por outro profissional reconhecidamente competente para aquela tarefa. Os resultados obtidos são comparados, utilizando-se esse profissional experiente como referência para avaliar a consistência do desempenho apresentado.
Para que essa avaliação seja objetiva, é indispensável definir previamente os critérios de aceitação.
Por exemplo, pode-se estabelecer que diferenças de até 1% entre os resultados sejam consideradas aceitáveis. Dependendo da atividade, outras técnicas estatísticas também podem ser utilizadas, sendo o erro normalizado (En) uma das mais empregadas para esse tipo de avaliação.
Independentemente do método utilizado, todo processo de avaliação da competência deve ser documentado.
Os registros devem identificar o profissional avaliado, a atividade para a qual a competência foi demonstrada, a data da avaliação, os critérios adotados, o responsável pela avaliação e o respectivo parecer.
Esses registros constituem evidências objetivas da competência demonstrada e são fundamentais durante auditorias.
Entretanto, é importante lembrar que a competência não deve ser considerada permanente.
Novos métodos, novos equipamentos e revisões das normas exigem atualização contínua.
Por isso, a avaliação da competência deve fazer parte da rotina do laboratório, sendo realizada de forma planejada, documentada e contínua, contribuindo para a melhoria permanente da qualidade dos serviços prestados.
Costumo dizer aos nossos alunos que participar de um treinamento não torna ninguém competente automaticamente.
Os treinamentos fornecem informação, conhecimento e orientação. A competência, porém, é construída ao longo do tempo, à medida que conseguimos aplicar corretamente aquilo que aprendemos.
Existe uma grande diferença entre conhecer e saber fazer.
Ao longo de mais de 35 anos de atuação na área de Metrologia, encontrei muitos profissionais dedicados que aplicavam conceitos incorretos. Não porque lhes faltasse interesse ou comprometimento, mas porque aprenderam dessa forma e, naturalmente, passaram esses conhecimentos adiante.
Eles são culpados?
De forma alguma.
Entretanto, essa realidade nos mostra a importância de desenvolver um senso crítico. Todo profissional deve analisar cuidadosamente aquilo que aprende, confrontar diferentes fontes de informação e buscar evidências que confirmem a validade dos conceitos antes de adotá-los como verdade.
Confesso que essa também foi uma importante lição na minha trajetória profissional.
Ao longo dos anos, percebi que alguns conceitos que ensinei não eram os mais corretos. Precisei estudar novamente, rever minhas convicções e mudar minha forma de pensar. Esse processo nem sempre é fácil, mas faz parte do crescimento profissional.
Continuo aprendendo todos os dias.
Afinal, ninguém é perfeito.
Gostaria de convidá-lo a refletir sobre o seguinte trecho do professor Hitoshi Kume, em seu livro Métodos Estatísticos para Melhoria da Qualidade, publicado pela Editora Gente:
"Devemos estar conscientes de que nosso conhecimento e experiência são finitos e sempre imperfeitos. Uma pessoa engajada num trabalho por um longo tempo é alguém que chamamos de experiente. Uma pessoa experiente possui grande conhecimento sobre aquele trabalho. Existem conhecimentos corretos e conhecimentos incorretos. O problema é que a própria pessoa nem sempre sabe distinguir um do outro. Temos que trabalhar diligentemente para encontrarmos o verdadeiro conhecimento."
Essa reflexão resume, de forma brilhante, a essência da competência.
Não basta acumular conhecimento ou experiência. É preciso buscar continuamente o conhecimento correto e aplicá-lo de maneira consciente e crítica.
A verdadeira competência começa com a busca permanente pelo verdadeiro conhecimento.
Gilberto Carlos Fidélis é Diretor Executivo do Centro de Educação, Consultoria e Treinamento – CECT.
Se este artigo contribuiu para ampliar seus conhecimentos, ficaremos muito felizes em receber seus comentários. Sua opinião é importante para que possamos continuar produzindo conteúdos cada vez mais úteis para os profissionais da área.
Muito obrigado pela leitura!
Se este artigo contribuiu para ampliar seus conhecimentos, talvez seja o momento de aprofundar sua compreensão sobre a NBR ISO/IEC 17025.
Quer desenvolver ainda mais sua competência profissional?
Conheça os cursos do CECT sobre Metrologia e NBR ISO/IEC 17025 e aprofunde seus conhecimentos com quem atua há mais de 35 anos na formação de profissionais e laboratórios.